quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Tesão no Joelho


   Passei o dia todo pensando em ir à sauna mas só consegui chegar depois das oito da noite. A sauna fecha às 23:00h e eu estava certo de que seria uma ótima noite. O otimismo arma ciladas. Logo no vestiário um senhor alto de cabelo grisalho cacheado, com uma barrigona peluda, pernas finas e cara de pato, se engraçou pro meu lado. Foi como uma punhalada pro meu coraçãozinho esperançoso. Não tinha quase ninguém. Se muito, 25 homens; destes, 22 repulsivos. Perambulei pela sauna, antes mesmo de tomar banho, e nada que abrandasse minha inquietação. Um rechonchudo jovem japonês me seguia onde eu fosse, em seus passos e olhares feminis. Pensei em me mandar.

   Fui olhar a parte escura. Até a TV estava desligada nessa noite e só a mangueira luminosa da escada trazia uma mínima iluminação para o ambiente. O que se conseguia ver não era nada animador. Desci correndo, fui escovar os dentes e tomar um banho pra pensar melhor. O Japonês veio junto e ligou a ducha ao lado da minha. Ele me secava tão insistentemente e ostentava a própria bunda com tamanha desfaçatez que demorei a perceber um carinha que estava tomando banho na última ducha. Primeiro o vi de costas e fiquei apreensivo esperando que se virasse. Bem baixinho, mas o corpo era bonito, bem equilibrado, com quadris estreitos, nemhuma gordurinha fora do lugar, costas largas, pernas bem feitas. Quando virou, parecia muito mal humorado, cenho franzido. Mas era um tesãozinho. Tinha alguns pelos curtos no peito musculoso e um pouco de gordura na região do umbigo. Uma barriguinha muito discreta e que me pareceu tremendamente sexy, masculina. Não olhava pra mim nunca, concentrado no seu banho. Terminei o meu e fui me secar na sauna seca. O japonês já estava lá, sentadinho, pernas curtas cruzadas, balançando o pé gorducho em ritmo acelerado. Tinha também outro cara sentado perto, que me pareceu familiar. Era até um tipo interessante, mas eu não conseguia lembrar quem era. Só tinha a certeza de que era furada. Fechei a porta e parei bem na entrada, de pé. É um cara bem alto, de cabeça raspada. Olhando melhor, era meio acabadão. Ele e o japonês me olhavam. O careca abriu a toalha, o japonês o imitou e começou a se masturbar de um jeito tão esquisito que mais parecia estar retirando uma dúzia de alfinetes espetados no pau. Fui lembrando aos poucos do careca. Encontro com ele em vários lugares e sempre é muito insistente, chato, forçado.

   Fui andar mais um pouco. O baixinho emburrado lia jornal numa mesinha no corredor, continuava sério, e tentava me ignorar a todo custo, parecia até hostil. Eu já estava desanimado quando vi de relance um cara saindo do banho e que parecia atraente. Era chamativo de onde eu o vi, mas pra ter certeza de que valia a pena, tive de chegar mais perto. Lembrei imediatamente de um  conhecido: amigo lindo do meu irmão, mas uma figura detestável. Este era alto, acredito que em torno de 35, 40 anos, tinha traços bonitos, embora um pouco enjoativos. Soube depois que chama Mauro, é gaúcho, de passagem pela cidade. Pele excessivamente escurecida pelo sol e/ou bronzeamento artificial, musculatura típica de quem toma bomba, inteiro depilado, cabelo curtinho totalmente descolorido, expressão botulinizada: uma "beleza" artificial, produzida. Ponho beleza entre aspas não porque ele não fosse belo, mas porque seria muito mais se não fizesse tudo isso. Ele me olhou com interesse também, era só esperar a oportunidade. Mais tarde eu entrei na salinha do saco de pancadas e ele vinha saindo. Passou por mim no estreito corredor, nos olhamos e em poucos segundos ele voltou para o interior da sala e parou perto de mim. Visto bem de perto, era um cara interessante, sem dúvida. Seu peito, duas bolas douradas e macias. Nariz arrebitado, boca bonita, mas... É terrível escrever isto, mas eu senti um cheiro muito desagradável. Tinha passado perto do Rio Pinheiros naquela tarde. Sempre me impressiona o cheiro do Pinheiros. Pra quem não conhece, é um rio importantíssimo na cidade de São Paulo que há décadas recebe poluentes de todo tipo. O cheiro é insuportável, parece uma mistura de excrementos com thinner. Eu até teria uma definição mais precisa, mas fiquemos com esta, menos grotesca. Pois não sei se o cheiro ainda estava na minha cabeça, mas a verdade é que senti o mesmo cheiro, idêntico. Tinha fortes suspeitas de que vinha do bonitão. Fiquei atônito. O que fazer? O cara bem acima da média dando mole pra mim, numa sauna minguada, só com gente feia, perto do horário de fechar... como dispensar?! Em contrapartida, como lidar com a situação? Confirmei que era sua bonita boca que exalava o mau cheiro. Estávamos perto da porta e entrou um outro cara. Aproveitei a deixa e saí, abandonei o barco.

   Dei mais uma volta pela sauna toda, que desespero! Só gente horrorosa: raquíticos esquisitos, gordos sem expressão, tiozões relaxados, ninguém que me despertasse um mínimo interesse sexual. O careca que eu já conhecia de vista tinha uma cara de doido quando me olhava. Não tenho nada contra cara de doido, em alguns caras cai bem. Nele, definitivamente, não.

   -E aí, beleza?

   -Tudo bom? - saí de fininho.

   Subi de novo pro andar claro, tudo vazio. Sentei sozinho na sala de vídeo e tentei me concentrar numa cena S&M. Sempre me parece meio ridículo, meio patético: um barbudo vestido de couro dava choque no pinto de outro barbudo semi-vestido de couro. Caras&bocas.

   O gostosão gaúcho estava na porta, pegando no pau e olhando pra mim - vi com o canto dos olhos. Como continuei olhando o vídeo, ele saiu. Voltou depois e bastou olhar em sua direção pra vir sentar do meu lado. Sentou bem junto e tirou o pau duro pra fora. De boca fechada ele era um gostoso. Nos tocamos. Pau macio, todo depilado. Saco grande, pele fininha, bolas graúdas. Eu estava com vontade de chupar seu pau, mas só de entreabrir a boca pra sorrir, o cheiro reapareceu. Senti com o dedo uma bolinha na ponta do pau dele. Fiquei ainda mais encanado, mas continuei punhetando o gauchão. Olhava-me a um palmo de distancia, como se quisesse me beijar. Brinquei com as bolas e deslizei o dedo pro cuzinho. Apareceu outro cara e sentou do meu lado. Feioso, desengonçado, cara de bobo. Levantei. Quando desci, o baixinho enfezado passou por mim e me olhou diferente, parecia interessado agora. Sentei e esperei um pouco. Em alguns minutos ele voltou, já acompanhado pelo gaúcho. Olhava pra mim, como se me chamasse. Subiram juntos, o baixinho me olhava a cada volta na escada caracol. Fui atrás. Eles já tinham se enfiado numa cabine do banheiro, as duas toalhas penduradas na porta. Ficaram lá bastante tempo, uns 45 minutos. Eu tentava imaginar como o baixinho, que dava pra ver só de olhar pra ele que resplandecia limpeza, como ele aguentava aquele cheiro por esse tempo todo. Fiquei muito irritado. Naqueles 45 minutos eu rodei a sauna, marchando de raiva por só ter homem feio naquela noite. Um moço magricelo chegou perto, passou a mão no meu peito. Pensei que se ele me chupasse, não seria má ideia. Mas não dava pra encarar. Tenho péssima impressão de segurar num corpo magrinho, fininho.

     -Ó, vou dar um rolê.

     -Beleza.

   Felizmente o careca já tinha ido embora. O japonês também. Dois caras interessantes apenas naquela noite. Os dois trancados num banheiro e eu ali, sozinho. Se fosse calcular melhor, um tinha um hálito insuportável e àquela hora ninguém mais chegaria ali, já ia fechar. Se depois dessa canseira o baixinho ficasse satisfeito e fosse embora, eu tava fodido. No mau sentido.

   Sentei numa mesinha e fiquei lendo jornal. Mesinha estratégica, de cara pra escada caracol por onde eles provavelmente desceriam. Primeiro veio o fortão gaúcho que fiz questão de ignorar. Demorou um pouco e o baixinho desceu também. Desceu escorrendo água do banho recente, e me lançou um olhar cheio de intenção. Dirigiu-se à área dos armários, lá na frente, e gelei pensando que pudesse estar indo embora também! Mas voltou, passou por mim, me encarando e entrou na salinha do saco de pancadas. Não era hora para orgulhos e brios. Abandonei os jornais desarrumados em cima da mesa e entrei logo em seguida. Ele estava parado no meio da saleta, me esperando. Ai, que imenso alívio saber que ele tinha o halito intacto mesmo depois de ficar quase uma hora beijando aquele boeiro. E que beijo bom! E que mãos!  Ele me segurava e era como se cem mãos me massageassem. Um toque que parecia intencional, consciente, talvez alguma técnica de massagem. Ele estava encharcado de água fresca e eu o lambia todo. Entrou um coroa barbudo e parou do nosso lado. Fomos lá pra cima, pro banheiro. Ele me chupou, nos beijamos muito. Eu o chupei também e lambi sua bunda. Minha língua entrava no cuzinho dele, macio, molhado, quente, doce. Agarrava meus cabelos e puxava minha cabeça contra a bundinha musculosa. Nunca perdia o contato com sua boca, que parecia me querer tragar. Excitava-se   enfiando a boca nas minhas axilas, abocanhava-as e depois ia afastando a boca, até que os ultimos pelos escapassem de entre seus lábios. Olhava pra mim, me convidando. Fui lamber minha própria axila junto dele. Me virou de costas e lambeu minha bunda também. Ele era safado, mas nunca vulgar, ou forçado - era guiado apenas pelos próprios instintos e desejo, e isso me excita. Seu olhar profundo e honesto, o toque seguro e carinhoso me deixavam muito à vontade. Perguntou se eu queria que ele pegasse camisinha e gel no armário. Eu disse que estava com a camisinha ali, mas ele achou que precisaria do gel. Saiu e deixou a porta do banheiro aberta. Sensação estranha de estar ali, sem roupa e de pau duro sem qualquer proteção. Resolvi sair um pouco e circular pela casa, aproveitando que não tinha mais ninguém naquele andar inteiro. Encostei na porta da sala de vídeo. Quando ele voltou, sugeri que fizéssemos ali mesmo, no sofá. Ele topou nas hora. Pus a camisinha e ele arcou o corpo sobre o braço do sofá, ficando com a bunda bem alta. Eu comi o cara ali, no meio da sala. Lá pelas tantas um cara que eu não tinha visto antes chegou perto e ficou do nosso lado, querendo entrar na dança. Eu, que já tinha perdido um pouco a sensibilidade no pau, perdi o tesão e parei, constrangido. O cara percebeu e saiu. Deitei no sofá e pedi pra ele deitar em cima de mim. Foi antes ao banheiro e pediu pra eu olhar suas coisas que estavam em cima de um banquinho (toalha, gel, camisinha). Voltou e retomamos os carinhos. Ele por cima de mim, me beijava inteiro. Ergueu minhas pernas e lambeu minha bunda. Massageou meus pés e depois o joelho esquerdo. Senti o que nunca imaginaria sentir na vida: tesão no joelho! Uma sensação totalmente nova pra mim, e muito intensa.

   -Quer dar pra mim?

   Eu ri.

   -Só estou perguntando, não se sinta pressionado - voz bonita, segura, reconfortante. Sotaque carregado.

   -Carioca?

   -Sou do interior do Rio, mas moro em Copacabana.

   Eu o olhava e me sentia à vontade. O pau dele era pequeno, não seria um grande esforço.

   -Voce tem mais camisinha aí?

   Ele pegou no banquinho, colocou e se lubrificou.

   -Vai com calma, tá? Não sei se vai rolar...

   Foi assim, com calma, e gostoso. Uns cinco minutos. Até que passou alguém e eu me contraí.

   -Está doendo?

   -Tá meio incômodo agora.

   Ele tirou. Nos beijamos mais, na mesma posição, eu deitado e ele por cima. Me masturbei passando o pau naquela bundinha. Gozei, na minha barriga. Ele também se masturbou e gozou em mim, quase juntos.

   -Se fodeu, ficou todo sujo.

   -Isso não é sujeira.

   -Quero ver voce limpar esses pelos agora.

   -Vamos tomar um banho?

   Saímos nus, despreocupadamente, com a tolha na mão. Peguei sabonete liquido na pia e fui para a ducha me lavar. Ele veio também e conversamos mais. Médico, 33 anos, chama Davi. Estava em SP para o feriado de 15 de novembro. Me contou que o fortão era Gaúcho e que entramos os três quase juntos na sauna. Descemos e ficamos conversando bastante, sobre medicina, a doença que ele estuda (de nome complicadíssimo que não guardei), filmes, teatro, a programação dele em SP nos dias subsequentes. Estava na minha hora e ele quis ir embora junto. Fomos conversando ainda até o metrô, pedi seu telefone e ficamos meio conversados de irmos à festa Gambiarra antes do feriado, na The Week. Mais tarde trocamos algumas mensagens mas não consegui revê-lo antes do retorno. Uma pena.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A História Não Se Lembra Dos Fracos


   Mais um feriado e decidi ir à For Friends, sonhando com uma tarde tão divertida como em 12/10/2011, também uma quarta feira. Cheguei por volta das 17:00h, tarde ensolarada de muito vento, rua deserta, típica de feriado. Um rapaz alto vinha na calçada oposta, a da sauna. Eu atravessei a rua para entrar, ele me viu, abaixou a cabeça e passou reto. Quando percebeu que eu entrei na sauna, voltou e entrou também. Já tive esse tipo de paranoia, todo mundo já teve. Fiquei com peninha dele... e uma pontinha de raiva. O recepcionista habitual não estava. Em seu lugar, uma mulher.

   Enquanto me despia, um cara parou perto; um olho na TV, outro em mim. Enquanto tomava meu banho ele estava lá também, me encarando. Era gostoso, corpo ótimo, mas não gostei muito do jeito dele, não interessou. A casa estava bem animada, com muita gente feia e o público tradicional da casa, de senhores. De bonitos mesmo, só lembro de ter visto cinco, e devem ter passado pela casa uns duzentos caras enquanto estive lá. Mas claro que não estou contabilizando os não bonitos, porém satisfatórios (o que seria do mundo sem estes?!).

   O primeiro bonitão que chegou era aquele tipo cheio de não-me-toques. Tenho quase certeza de que ele não ficou com ninguém. Grandão, olho azul, cara bonita. Sei que conheço, mas não lembro de onde. Sou ótimo fisionomista mas às vezes não consigo fazer a conexão da fisionomia com um lugar ou fato. Até faço, mas demoro, chego a demorar meses pra saber quem é. O cara chegou e entrou direto no banho, que durou uns quarenta minutos, sem exagero. Corpo bom, um pouco acima do peso. Ficou sentado na sala principal por bastante tempo e mais tarde vendo vídeo pornô na sala escura, em pé, totalmente isolado. Ele me olhava bastante. Leva um tremendo jeito de babaca, mas fisicamente me atrai. Acho que não tenho mais paciência pra ficar paparicando por muito tempo um indeciso só por ser bonitinho.

   Resolvi esperar... quem sabe depois das 18:00h? Realmente melhorou um pouco, mas continuava bem fraquinho de caras bonitos. Tinha um, de beleza vulgar, cabeça raspada (gosto), tatuado (dependendo do cara, gosto - como no caso) e um puta corpão (quem não gosta?). Eu é que não o agradei, pelo visto... Mais tarde o vi entrar num banheiro com um coroa bem alto, pele queimada como um pimentão e feio pra caralho. Acho válido... Vamos apelar também?!

   Lá no escuro (onde, desde que comecei a escrever isto, percebi que tenho muito mais facilidade pra me aproximar dos caras) tive dois encontros rápidos e não exatamente memoráveis. O primeiro foi um garoto. Devia ser bem novo, mas muito alto, um corpo que voce via que não exige nenhum grande esforço pra ser bonito. E era. Pés lindos, mãos lindas, cabelo lindo, pele linda. Mas o carinha não era lindo. O rosto tinha alguma proporção errada que danava com tudo. Todos os traços bons, mas não funcionavam muito bem em conjunto. Não era lindo, mas parecia ser gente boa, meninão. E o combo (altura-corpo-jeito-cara-pau) era bem interessante. Sim, eu já o tinha visto tomar banho e ele tinha um pau hipnotizante.

   Subi para o escurinho (horário de verão, ainda bem claro) e ele estava lá, ficou rodeando e parou próximo de mim. Nos olhamos por um tempo e ficou claro para ambos que estávamos a fim. Por que a maioria dos caras fica, como antigas donzelas, esperando sempre que eu tome a iniciativa? É difícil tomar um toco pra todo mundo, imagino. E sei que, pra quem não me conhece, tenho a cara séria, fechada. Mas mesmo quando estão dois homens seminus, numa sauna gay, olhos nos olhos, há um metro de distância um do outro no confortável escurinho, ambos em estado de visível ereção (propositalmente denunciada e estimulada pelo movimento de suas respectivas mãos)... tudo isso parece insuficiente para que a grande maioria ouse se aproximar. Se não é receio, é capricho. Sei que tem uns travados que querem apenas isso: ficar se estimulando há uma distância segura, sem toque, sem troca de fluidos. Mas é minoria absoluta. Eu tinha um professor que sempre dizia: "A História não se lembra dos fracos": dei dois passos e sentei no sofá diante do qual ele estava parado, minha perna roçava a  dele. Sentou do meu lado imediatamente e nos beijamos. Estava todo cheiroso e tinha um toque delicado, o beijo suave, quase inocente. Em oposição a essa delicadeza e à carinha de menino, aquele pauzão. Duro era bem maior do que eu imaginava; macio e tão grosso que minha mão não fechava em seu redor. Quis chupá-lo ali mesmo. Pele levemente adocicada. Queria ver tudo melhor, no claro, e o chamei pra descer comigo. Meu objetivo era alcançar o banheiro iluminado mas parei ali embaixo pra não esfriar a coisa toda. Encostei numa grade e nos beijamos. Ele parecia excitado, pau duro, mas acho que nos estendemos demais ali, eu estava começando a ficar entediado. De repente ele bateu meu corpo contra a grade, não com muita força. Eu não entendi. A grade vibrava e meu corpo também, uma sensação estranha, como quando uma bateria de escola de samba se aproxima. Ele não tinha muita expressão facial e eu não saquei a proposta (se é que havia alguma). Do nada despediu-se com um tapinha no meu peito e um olhar enigmático. Simples assim. Seria tão divertido ter um vídeo da nossa própria cara nesses momentos!

   Teve um outro cara com quem fiquei rapidamente ali no escuro, fazendo hora até que alguém realmente interessante aparecesse. Era um coroa bem conservado, alto, bronzeado, um pouco calvo atrás, grisalho, corpo forte, peitos bem desenvolvidos, com alguns pelos. O rosto até era interessante, mas de perfil faltava-lhe queixo - o que é uma grande falta num homem. Não é o tipo que geralmente me atrai. Nos cruzamos várias vezes e ele tentava chamar minha atenção com olhares e esbarrões. Até que o deixei chegar lá no escuro. Mas era ativo também, e sem negociação. Trocamos sexo oral, nos beijamos. Era um cara muito carinhoso, ficou me elogiando o tempo todo. Foi simpático mas uma hora tive de sair. Aproveitei que a sala onde estávamos começou a encher de gente e disse que ia dar uma volta. É meio constrangedor sair assim. Provavelmente foi o mesmo que o garoto pintudo havia feito comigo.

   Fui andar mais um pouco e tive uma surpresa boa quando passei pelo vestiário: despia-se um dos caras com quem fiquei no último feriado. No outro dia nós ficamos rapidamente no escuro, depois de longa e muda negociação. Ele não estava, então, muito bem asseado mas encarei bravamente. Um garoto lindo e cheio de atitude. Desta vez pareceu-me ainda mais bonito e fiquei torcendo pra ele tomar um banhinho... Mas passou direto pelos chuveiros e foi pro escuro. Fui atrás, já mais seguro que no primeiro encontro: olhou pra mim mais que dois segundos, já cheguei perto. Ótimo constatar que estava com cheiro de banho. Custou muito a escurecer naquele dia, já devia ser perto das 20:00h e tinha luz ainda entrando pelas venezianas. Parou perto da porta, no mesmo lugar em que "empacou" da outra vez. Mal cheguei perto, nos atracamos com volúpia. Aturdido, eu segurava seu rosto entre as mãos: puta que o pariu, que coisa linda! Arrastei pro outro canto e sentamos num sofazinho. Dependendo de como a luz batia em seu rosto, era inacreditável de se olhar: O desenho da boca, a forma como nasce a barba, como o cabelo se ajeita, como me olha nos olhos sem um traço de inibição. O sorriso é bonito mas um pouco antipático. Ele é um pouco antipático. Senti, depois, conversando um pouco, que essa antipatia pode ser uma forma de defesa. Gosto de me enganar, então estamos combinados que era defesa. Ele pegava no meu pau com vontade, mas não chupava. Usava uma corrente fininha no pescoço, com um pingente (depois, no claro, vi que era uma estrela de Davi). Não sei porque eu punha a corrente e o pingente na boca enquanto o beijava, e menos ainda sei o por quê disso me dar tamanho tesão. Pegava na minha bunda e tentava enfiar o dedo, de forma meio grosseira. Ou eu que não gosto. Pra ser sincero, prefiro até um pau que um dedo. Acho incômodo demais.

   -Quero comer esse cuzão delicioso, sussurrou.

   Fiquei chocado! Como assim "cuzão delicioso"??? Sem noção pra caralho, hein?! Falei que não gostava de dar, e ele disse que também não. Mas continuamos ali. O nome e dele é Luiz. Descemos, eu na frente, ele atrás. É um percurso longo até o banheiro, talvez uns 70 metros. Detesto gente andando comigo que vai na frente ou fica pra trás. Eu diminuía o passo pra ele me alcançar, ele também diminuía; se parava pra ele vir pro meu lado, ele parava também e esperava, olhando pra mim. Não entendi, mas continuei liderando a caminhada. Chegando perto do banheiro, entrei na ducha sem avisar, e ele passou reto. Em poucos minutos fui encontrá-lo olhando num espelho. Beijei a sua nuca, escolhi uma cabine. Agora prefiro esse banheiro com cabines maiores e luz azulada. Foi um prazer estar com ele ali, poder olhar toda sua delícia no claro. A única coisa que me desagradou foi que ele tinha a sola dos pés ásperas. Eu adoro pés bonitos, ele tem pés lindos, mas essa textura é bem desagradável. Não me chupava e isso me incomoda, me deixa inseguro. Era o tempo todo querendo minha bunda. Consenti que ficasse com o pau ali. Ele estava certo de que ia me comer, e eu incerto como sempre. Seu pau é grandinho mas não é grosso. Pedi pra vê-lo de costas e ele se negou.

   -Como assim?!, Perguntei indignado e rindo da sua insegurança besta. Repetiu que não, simplesmente não ia me deixar sequer ver sua bundinha.

   -Que porra é essa? Deixa de bobagem, pô...

   Só depois de muita insistência ele virou. Todo lindo, bundinha pequena, redondinha, poucos pelos clarinhos, cintura estreita, costas largas. Ele é magro mas todo gostosinho, músculos no ponto e ótimas proporções. Agachei e mordi a bundinha, fui mordendo a lombar e subi até a nuca. Passei meu pau no rego e ele se virou. Voltou a brincar com o pau na minha bunda e eu dei uma camisinha pra ele. Acho que nem estava pensando em tentar, foi mais por segurança. Ele a vestiu, lubrificou com saliva e foi pondo devagar. Rolou. Já disse aqui que é muito raro, tipo uma vez por ano acontece. Este ano foi o segundo e acho que não dá tempo do terceiro. Não foi difícil, mas quando ele punha até o fim, era muito incômodo, doía, pedia pra esperar. Só lá pro final da transa que me acostumei.

   -Vou gozar...

   -Vem, goza...

   Pedi pra ele esperar, queria gozar com ele dentro. Já que é tão raro, vamos aproveitar até o fim que o pior já passou! Ficamos nos olhando de um jeito estranho depois, falei alguma coisa pra descontrair, mas ele parecia numa espécie de transe, calado, esquisito. Tomamos nossos banhos separados.

   Vi um cara que eu já conhecia, um loiro que tem um corpo fabuloso, Bruno, dono de um restaurante na Consolação. Outro conhecido também tinha chegado, homem belíssimo que estava sempre na 269, mas que nunca notou a minha existência. Este estava bastante envelhecido (fazia uns 3 anos que não o via), mas continuava muito bonito. Fiquei sentado na sala principal, a do jardim, vendo o movimento, e o Luiz voltou e sentou numa mesinha próxima:

   -E aí, sr. Yuri.

   Sorri. Acho que eu ficava com cara de bobo toda vez que ele se aproximava, tamanha a impressão que me causa sua figura. Perguntei sua idade e ele mostrou dois dedos com a mão esquerda e três com a direita.

   -Como?!

   Ele cruzou as mãos e então li "23"

   Ele perguntou a minha, 37.

   -Nossa, não parece nunca!, exagerou.

   Olhava de um modo estranho, algo entre curioso, desconfiado e insinuante. E eu não conseguia desgrudar os olhos dele.

   Levantei e me dirigi para uma sala mais íntima ao lado de onde estávamos e o chamei. Ele demorou um pouco e veio sentar do meu lado no sofá de couro branco. Veio com um ar de má vontade. Conversamos sobre a sauna (ele vai em média duas vezes por semana, e em quase todos os feriados - já é conhecido pelos funcionários pelo nome), lembramos da 269, baladas que frequentamos, onde moramos, trabalhamos etc. Comentei do nosso encontro no último feriado e ele pareceu sinceramente surpreso ao dizer que não lembrava de nada. Comentamos sobre o movimento e eu disse que tinha visto dois caras bonitos entrar.

   Gosto de pegar, fazer carinho. Passava a mão nos seus cabelos e ele parecia incomodado.

   -Não gosta que desarrume o cabelo?

   -Não! - respondeu como se fosse a pergunta mais imbecil do mundo.

   -Não dá pra você ficar feio, você é ma-ra-vi-lho-so!

   -Eu não acho.

   -Ah, vá! E olha que sou chato pra caralho.

   -Devia ter avisado antes... Eu ficava longe.

   Quis ir pro escuro comigo, "fazer a cega", disse, brincando de tatear. Eu fui. Iria pra onde ele quisesse. Já estava completamente escuro lá em cima e muito cheio. Embrenhou-se numa das salas entre homens invisíveis. Tentei ir junto, mas a sensação de contato com corpos úmidos e ansiosos que não posso identificar é absolutamente insuportável para mim. Me deu uma raiva dele! Lembro até agora de seu vulto desaparecendo no escuro. Andei um pouco por onde tinha um pouco de luz e voltei para procurá-lo. Nos encontramos e conversamos um pouco. Queria que eu me enfiasse lá com ele. Enganchei dois dedos na toalha presa na sua cintura e fui a reboque. Em um minuto ele encostou com outro cara numa parede e me afastei. Fiquei incomodado. Talvez ele esperasse que eu fosse ficar com eles, mas eu o queria só pra mim. Sou desses, possessivo com desconhecidos.

   Desci. Na ala mais escura da casa tem duas pequenas celas, uma do lado da outra (eram dois lavabos antigamente). Não têm porta, só duas cortinas de correntes plásticas pretas. Notei uma movimentação atraente na cela da esquerda e entrei na da direita, que estava vazia. São celas realmente pequenas, de aproximadamente 1 m², separadas apenas por uma espaçada grade de ferro. É escuro mas na cela direita tem uma abertura circular bem no alto, que joga, principalmente para a cela esquerda, uma luz lilás, oblíqua e difusa. Esta luz atravessava a grade e a imprimia num corpo. Um homem muito alto - aquele cara lindo que eu costumava ver na 269 e que parecia muito mais velho agora - de pé, sua toalha pendurada num canto da grade que nos separava e um garoto ajoelhado o chupava. Este outro eu já tinha visto, e não era de todo mau. Pela expressão, via-se que o grandão estava muito excitado e que o moleque estava mandando muito bem. Perceberam minha presença, claro, mas em nenhum momento olharam para mim. Fiquei ali, na minha, sem querer atrapalhar e absorto naquele quadro, tão perto, a dois palmos de distância. Não sei calcular a idade desse cara, mas ele tem um corpo de atleta, bem trabalhado, aproximadamente 1,90 m, sempre bronzeado, cabelo bem curto, grisalho. Rosto muito interessante, de traços duros e certos como os dos personagens de quadrinhos de antigamente; um homem que até transparece uma elegância natural. Nunca tinha visto o pau dele e era bonito, grande, com a base mais grossa e uma certa inclinação para cima. Respiração ofegante de ambos. Sentia-se em volta deles uma grande energia concentrada, que beirava o desespero. Pensei em abaixar pra olhar o cara chupando de perto mas fiquei com medo de ser inconveniente e cortar o clima entre eles. Também dava uma vontade quase irresistível de estender a mão pela grade e tocá-lo.

   Quando dei por mim, já tinha mais alguém na minha cela. Já havíamos nos esbarrado e ele tinha passado a mão em mim quando nos esbarramos numa escadaria. Corpo bonito mas o rosto não me atraía muito. Alisei seu peito, o abdome: era um homem relativamente pequeno mas tinha músculos saltados, arredondados, sob fina camada de pele, com pelos bonitos, bem posicionados. Pegou no meu pau e me masturbou, sem muita habilidade.

   O coroa do lado estava para gozar e preocupado se o garoto aceitaria que ele gozasse na boca. Abaixou e conversou com ele, que continuava chupando sem parar. Vieram as contrações, todo seu corpo tenso, suando. Gozou e o garoto engoliu tudo. E continuou chupando até ele próprio gozar. O grandalhão o ergueu delicadamente e partiram juntos.

   Quando retornei ao claro dei de cara com o Luiz, recostado no corredor. Conversamos um pouco. Eu já estava me preparando pra ir embora.

   -Vai embora direto ou vai comer alguma coisa antes? - perguntou.

   -Vou embora... você vai comer onde?

   -Na Bela Paulista, onde viado come.

   -Ah não, não vou até lá agora.

   -hum...

   Beijei sua boca acintosa, vermelha, quente. Entramos aos beijos na saleta do saco de pancada. Ele estendeu sua toalha numa espécie de maca de massagista que tem lá, e sentou-se completamente nu. Eu ficava deslumbrado com sua imagem - e ainda agora, escrevendo, meu pau fica duro só de lembrar. Enfiava minha língua na sua garganta, deslizava minhas mãos pelo seu corpo todo e voltava a me afastar um pouco para admira-lo. Deitou na maca e olhava pra mim, intimando. Pus meu pau do lado do rosto dele, que não tinha me chupado ainda nenhuma vez. Segurou e olhou meu pau com atenção, expressão séria. Eu estava para explodir. Passei meu pau pelo seu rosto todo, contornando seus traços com a cabecinha. Deslizou o indicador pela ponta do meu pau e verificou o óbvio - estava melado. Fez carinha de nojo. Eu caí na risada:

   -Nossa, que moleque chato!

   Finalmente me chupou. Chupou! Foi uma realização! Também subi na maca, em posição de 69. Logo entraram na sala dois caras, dois gordos, e foram para o outro canto, oposto ao nosso. Fiquei intimidado e levantei. O Luiz se sentou e ficou olhando fixamente pros dois, numa dessas expressões indecifráveis:

   -Deixa eu te comer de novo?, falava comigo sem me olhar.

   -Nem fodendo!

   -Quero te comer assim, ó..., indicou os gordos.

   Eles estavam transando mesmo, um de quatro e o outro atrás, como se estivessem sozinhos, em casa. O moleque continuava com aquela expressão indefinida.

   -Deixa eu comer esse cuzão delicioso de novo!, ordenou.

   -Não, caralho!

   Eu disse que tinha de ir embora. Ele mudou o humor completamente.

   -Você é feio! - disse com muxoxo.

   Saímos da sala, ele de costas, sem me olhar. Parou num canto de frente pra um espelho grande. Fui até ele, o abracei pelas costas e me despedi com um beijo no rosto.

   -Vai continuar ai?

   -Lógico.

   -Está animado, hein!

   -Sempre.

   Estava bem vazia a sauna já. Sentia-me contagiado por ele na saída. Queria que tivesse vindo comigo, ou ter pedido um telefone, e-mail, algum contato. "A História não se lembra dos fracos."