sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

"Sexo Anal no Primeiro Encontro!"


    Nesta abafada tarde de terça-feira, tive um encontro adiado por muitos anos. Um encontro com um homem, um belo jovem. Não, não foi um encontro sexual. Um estranho que de certa forma já era íntimo meu, com quem me comuniquei a distância por quase uma década. Foram anos de apoio, aprendizado, amizade divertida, curiosidade mórbida, confidências abismais. Seguiram-se idealizações (infalivelmente vãs), manipulação mútua, desencanto. E o véu do ciúme pairou frente aos meus olhos. Restou uma profunda mágoa, mal disfarçada em insistentes alfinetadas. Todos os componentes de uma paixão; tão comezinha quanto epicamente devastadora. Paixão esta que passei a negar, justamente com a desculpa da distância física: nunca tínhamos estado frente a frente, portanto não sabíamos realmente quem éramos - como me apaixonar por quem não conheço, nunca vi? Posso me apaixonar pela ideia que formo de alguém, por sua voz, suas fotos, suas palavras, sua historia de vida? E, por outro lado, alguém pode afirmar sem leviandade que conhece uma pessoa completamente só porque se relacionam de perto? Quantas surpresas guarda uma pobre alma...

   Nos últimos anos nosso contato foi-se tornando cada vez mais esparso (confesso que quase exclusivamente por birra minha), ainda que sua presença sempre estivesse de alguma forma acorrentada a mim, como tudo o que fica mal resolvido. Ele tem vindo a São Paulo frequentemente e me procurou algumas vezes, sempre de maneira incerta, escorregadia. Tinha de ser só agora, tantos anos depois. Fui encontrá-lo num shopping da zona oeste, perto de onde estava hospedado. Ele, que estava perto, chegou meia hora atrasado. Fiquei muito surpreso com o quanto foi tranquilo e fluido nosso papo depois de um longo hiato. Amadurecemos. Mesmo eu, doze anos mais velho que ele. O que não nos impediu de termos fingido cumplicidade e confiança durante cinco horas. Almoçamos, lembramos de velhos casos, daqueles dois que éramos há quase uma década, diversos mas ainda contidos nos de hoje. Ambos confusos e sem rumo, sempre.

   Muito ficou por dizer. A dureza da realidade é cortante e comove. Nada pode ser mais extraordinário que estar de frente para um ser humano, e aberto para compreende-lo em suas falhas, temores e vaidades: tudo que lhe escapa e conseguimos garimpar. O tempo purifica o olhar. Como é bela e doce a juventude. Como é egoísta e piegas o jovem.

   Quando fui embora, pedi que o taxista desviasse do caminho e saltei na For Friends às 20h15min. Era tarde (a sauna fecha as 23h) e ainda estava bombando (para uma terça feira comum). Minha meta era simplória: dar uma rapidinha e voltar pra casa. Logo que entrei, dois caras me chamaram a atenção. Conversavam em espanhol debaixo do chuveiro. O coroa não era exatamente bonito, mas muito interessante, corpo gostoso, pauzão. O outro era bem novo e uma graça: branquinho, cabelo escuro de comprimento médio, bigode e cavanhaque curtos, corpinho tentador, olhar esperto. Fiquei por ali, vendo os dois terminarem o banho. Estava claro que tinham acabado de transar. O coroa se despediu com um beijo nos lábios e saiu primeiro. Passou por mim de cabeça baixa. Um homem gordo parou do meu lado para admirar o garoto. Ele saiu nu, se enxugava caminhando lentamente. Cada nádega fazia um movimento independente, quicante, a cada passo que ele dava: elevava-se tensa e redonda, depois desabava, mal o pé deixasse o chão, e voltava a subir, como uma onda. Passou sem me olhar também. Desci e ao passar pro lado escuro da casa, vi, pelo espelho ao lado da porta, que ele vinha atrás de mim e me media de alto a baixo com evidente interesse. Fui direto pro fundo, a ultima sala de vídeo antes da escadaria. O sofá estava fora do lugar, tinham-no arrastado pra trás, pro lado oposto ao telão. Sentei e ele veio pro meu lado. Sorriu pra mim, cumprimentando. Cheguei mais perto. Eu ainda não sabia quem era o estrangeiro, pra mim ambos tinham cara de argentino. Mas era o outro, o coroa. O moleque chama Ricardo, 26 anos, mineiro residente em SP há 3 anos.

   -Você entrou agora? - perguntou.

   -Faz pouco.

   -Ah, tá... Não tinha te visto ainda. 

   Sorria e me beijou. O encaixe entre bocas, quando funciona, é determinante pra tudo mais funcionar, e esta era uma das mais deliciosas que já beijei, tudo era certo. Tantas sutilezas envolvidas num ato como o beijo: o tamanho da boca, a viscosidade e quantidade da saliva, os odores e movimentos, a disposição dos dentes e a textura da língua, a legitimidade do desejo, a forma como mãos e braços nos envolvem e a própria energia da pessoa. Tudo vem num mesmo bloco sensorial, e todos nós sabemos exatamente porque um beijo funciona ou não. Nesse menino tudo era gostoso. Mas, pra variar, um velho barrigudo começou a passar a mão na minha cabeça, por trás do sofá.

   -Vamos sair daqui, por favor.

   -Vem cá.

   Me levou pra um lugar mais vazio, mas ainda aberto.

   -Ah, vamos pro banheiro?

   -Tá, vamos sim. É lá em cima?

   Ele nunca tinha usado as cabines da segunda sala, com luz azul. Aliás, acho que nessa noite nem tinha luz azul alguma, não lembro. Tudo que ele fazia de bom com a boca no beijo, não se reproduzia no sexo oral. Uma pena. E quando eu o chupava, não tinha uma ereção muito consistente, apesar do desejo que expressava com aparente sinceridade. Pensando melhor agora, ele provavelmente tinha acabado de transar com o coroa, devia ter gozado com ele havia alguns minutos. Mas nada disso importava, porque o beijo era sensacional e ele era um docinho. Minha excitação era extrema:

   -Que puta corpo que você tem, meu!

   -Ah, sei! Eu, né?!.

   -Sério cara, tipo de corpo que eu adoro! Curte dar?

   -Até curto... mas hoje não. E tu?

   -Quase nunca.

   -É... também quem tem um pau destes, tem que usar, né?

   Eu o virei e enfiei a cara naquela bundinha arrebitada, a que bonitos pelos castanhos conferiam muita masculinidade. Acho muito atraente quando o rosto e corpo são meio contrastantes assim, carinha de garoto e corpo masculino, com músculos bem desenvolvidos, pelos. O cuzinho era tão gostoso quanto a boca, macio de lamber, me absorvia, quase me beijava. Meti a língua nele, que se contorcia com o rosto contra os azulejos da parede. Pôs um pé sobre o vaso sanitário para me facilitar o acesso.

   -Pô, agora me deu vontade, também quero - disse quando eu terminei. Me virou de costas:

   -Caralho, como você é gostoso, cara.

   Às vezes me sinto meio inibido nesse posição. Me lambeu com apetite e foi muito gostoso, ali sua boca funcionava tão bem quanto no beijo. Voltamos a nos beijar, eu o pegava com energia. E ele estava na mesma sintonia. Foi por isso que estranhei quando disse que ia "dar uma volta". Pra mim foi uma interrupção abrupta demais. Mas ele continuou me beijando e elogiando sem parar:

   -Se você tem mesmo 38 anos, continue assim!

   Eu correspondia aos seus beijos, mas aquela historia de "dar uma volta" ficou chata e eu não sabia como prosseguir:

   -Bom, você vai querer parar mesmo?

   -Vamos dar uma parada, né?

   Continuava me beijando. Eu peguei minha toalha - estava irritado, frustrado e confuso.

   -Bom, então vamos lá.

   Depois disso, o vi entrando na sauna com um senhor. Horroroso, diga-se (e não por despeito).

   Ainda tinha o coroa que falava espanhol; e nada mais, só gente feia. Ele fazia questão de não me olhar na cara toda vez que passava do meu lado mas, assim como não tinha mais ninguém pra mim, pensei que não tivesse pra ele também. Sentei pra ler um pouco. Adoro as chamadas de capa da Men's Health:

   "Perca a Pança a Jato!"
   "Ombros Largos em 1 Mês!"
   "Dicas Quentes Para Faturar seu Primeiro Milhão!"
   "Turbine seu Guarda Roupa Gastando Pouco"
  "Sexo Anal no Primeiro Encontro!" (porrãn, como é dura a vida dum homem hétero...)

   Eles resolvem a vida de 99% do homens por módicos 10 reais.

   O coroa passava por mim, tinha um corpo bem gostoso, rosto charmoso. Parecia estar mancando um pouco pra andar. Entrou no banheiro com outro coroa, este bem forte, tatuado. Não era meu tipo, mas eu tinha me apressado em pensar que eu fosse sua única alternativa. Saíram logo. A probabilidade de alguém que valesse a pena entrar na sauna agora, quase 21h, era mínima e realmente não se cumpriu. Tinha dois garotinhos que até são bem bonitinhos, ambos magrinhos e de cabeça raspada, estão sempre lá e me dando mole. São um pouco tímidos, mas às vezes assoviam pra mim e morrem de rir. O problema é que têm uma pegada muito "menininha", que não me interessa. Fui dar mais uma geral no escuro e o coroa já estava lá, assistindo vídeo de pé. Eu parei perto dele, insinuante. Tentei ser insinuante ao menos... Meu pau ficou duro e ele percebeu. Me olhou e saiu da sala. Saiu olhando pra mim, virando pescoço pra trás. O que é isso? Não sei... Não pode ser timidez. Deve ser inabilidade social. Não sei que porra impede a maioria dos caras de demonstrar interesse com clareza, mesmo no ambiente mais propício e descompromissado do mundo. A sauna gay é isso ou não? É, sim! Só tem homem, só tem viado, todos estão ali pra transar e ponto.

   Na volta ele estava sentado num sofá que tem no corredor, de pernas abertas, e me olhava. Passei reto - "Em Roma, faça como os romanos". Meu pau estava duro ainda. Ele veio atrás. Entramos numa sala em silêncio, mas tinha gente. Subi a escada caracol e a cada volta, o via se aproximar. Fui direto para a sala de vídeo, rezando para que estivesse vazia. Zero almas naquele andar inteirinho. Sentei no sofá, pus meu pau pra fora. Era questão de segundos, eu sabia. Ele veio como quem nada queria, olhava pro monitor fixamente. Quando desviou os olhos pra mim e me viu naquele estado, veio sentar do meu lado. Parecia um pouco tímido. Nos beijamos. Era um beijo estranho. Sua boca, sua dentição, eram normais de se ver, mas no beijo, pelo menos com relação à minha boca, eram muito estranhos. Parecia que sua arcada superior era estreita ou que ele era dentuço, tinha alguma coisa erradíssima ali. Dava essa sensação tátil no beijo, mas visualmente não tinha nada demais - superesquisito. Mas era cheiroso, macio. Entrou mais gente na sala e ele me chamou pro banheiro.

   O nome dele é Hector e, pelo sotaque, é argentino (como não falo quase nada de espanhol e não estava exatamente interessado em papo, evitei conversar e nem perguntei de onde era). Engraçado que lembro pouco do que aconteceu no banheiro até que eu finalmente o comesse. Ele era bastante másculo, e até eu cheguei a pensar que isso poderia ser sinal de que era só ativo. Pura besteira. O pau dele era enorme, bem maior que o meu, e bonito, não circuncidado, do jeito que eu gosto; mas não o chupei, não tive vontade. Ele me chupou, e não lembro da sensação, se foi bom ou não. Tinha uma marca de sunga bem forte, o corpo bronzeado (era meio loiro e tinha olhos verdes) e a bunda bem branca e lisinha, o buraquinho cor de rosa. Eu sou doido por marca de sunga. Lambi muito sua bunda macia. Tinha um pouco de gosto de lubrificante, de preservativo. Fiquei muito excitado, como não ficava havia muito tempo. Mordia a pele branca da bunda, deixando marcas de um vermelho vivo. Eu estava pronto pra ir adiante quando me pediu com sotaque:

   -Camisinha.

   Estava difícil de colocar, parecia muito justa e não chegou a desenrolar até à base. Foi uma foda intensa, quase brutal. Eu sentia cada milimetro do seu esfincter, que ele dilatava e contraía, pressionando meu pau. O orgasmo foi simultâneo e muito forte. Eu urrava, sem a menor preocupação (e sou tímido geralmente pra esse tipo de demonstração em lugar público). Ao fim, estava como em transe e foi ele quem tirou meu pau de dentro, arrancou a camisinha e jogou fora. Agradeceu em português, sorrindo docemente:

   -Obrigado.

   É bonitinho isso, agradecer uma transa boa. Geralmente os gringos agradecem, já reparei. Faz sentido entre desconhecidos, mas eu não saberia agradecer alguém por ter transado comigo. Não é arrogância. Talvez falta de costume.

   Nunca fico tão pouco tempo na sauna. Em menos de duas horas fiz tudo o que tinha de fazer e saí dali me sentindo leve, reenergizado. Meu amiguinho da net mandou um SMS exatamente no instante em que pus meus pés na rua, queria saber se eu tinha chegado bem em casa...