sábado, 23 de junho de 2012

Curte Levar uns Tapinhas?



   Voltei à sauna, como voltarei muitas mais vezes, ao Chilli Peppers (que, como cliente, sou fiel), aos anônimos bem apessoados, ao paradoxal sexo sem intimidade. Não queria escrever sobre esta tarde - mas escrevo - para fins terapêuticos. Ou por falta do que fazer. Era uma outra segunda-feira e estava um pouco mais vazio que da vez passada. Mas, logo que entrei, vi um corpo bonito na sauna seca. Parecia jovem, tinha uma gigantesca tatuagem, um  escamoso dragão negro que rastejava por seus peitos, ombros e costas. Estava sozinho, imóvel, sentado de cabeça baixa - me olhava pelo canto do olho, sem desviar a cabeça. Olhamo-nos longamente, até que um senhor entrou e o rapaz saiu. Pouco depois nos reencontramos no térreo - ele completamente nu, se enxugava. Corpo musculoso e liso, de belas proporções, e o pau... O pau do japonês... Só agora eu notava tratar-se de um mestiço. E com um pau respeitável. Não tão jovem quanto tinha me parecido na sauna - se não me engano, tem 31 anos. Me olhava fixamente, com expressão séria. Saí à piscina por um instante e na volta o segui à sauna a vapor. Agora sentados lado a lado, sozinhos na sauna - e não havia atitude alguma no cara. Muitas vezes olhava para baixo. O rosto não era feio, mas também não daria para dizer que era um homem bonito. Ainda assim, sentia-me muito atraído pela sua figura. Cheguei a apalpar sua coxa e... nada. Apenas tocou seus genitais por alguns segundos. Eu sabia que ele queria que eu me chegasse com mais audácia. Não tenho paciência com quem não sabe responder às minhas investidas (quase sempre tímidas). E o vapor já me incomodava os olhos, a respiração. Subi ao labirinto, àquela hora bem fraquinho de personagens interessantes. Parei no único ponto iluminado dos corredores, onde há um aparador, sobre o qual ficam dispostos alguns flyers e um globo de vidro contendo uma infinidade de preservativos. Pus dois envelopes de camisinha presos à minha cintura, na toalha. E lá vinha o japonês, desfilando o corpão pelos corredores. Parecia outra pessoa agora, mais relaxado, confiante. Parou na minha frente e me beijou. Um beijo sutil, delicado, fresco. Minutos depois, estávamos outra vez na sauna seca, agora sozinhos. Ele se acomodou no tablado, meio deitado, meio sentado, e abriu a toalha, oferecendo seu sexo. Seu nome é Diógenes. Queria ir além:


        -Quer dar pra mim?

   -Cara, raramente eu dou... Seu pau é grande, acho que nem rola...

   -Eu quero muito essa bundinha. Dá pra mim? Aqui mesmo! Dá?

   -Aqui?! Nem fodendo!

   -Deixa, vai!

   Enrolei um pouco e o levei para uma das cabines escuras. Entreabriu a porta, queria luz para me assistir chupar seu pau. Fiz com que se virasse de costas pra mim e lambi a bunda musculosa que ele tanto havia regulado na sauna. Acabou me convencendo. Passei a camisinha pra ele, que foi paciente com a penetração difícil. E mesmo depois de acomodado, não suporto a dor quando a penetração é mais profunda. Não sei qual órgão que o pau do cara pressiona, que me dói demais, é uma sensação esquisita, aflitiva. Mas no todo, foi divertido. Principalmente quando o japa tirava o pau todinho de dentro de mim e voltava até a metade, repetidamente. Tenho como propósito me tornar cada vez mais flexível, foder e ser fodido, como deve ser. Como deve ser... Além das dificuldades físicas, tenho vários outros bloqueios com relação a ser penetrado. Bloqueios com relação a muitas coisas, no sexo e na vida. Deixar-se penetrar, sobretudo no ânus, é um ato de entrega, confiança. Como fantasia, acho muito excitante, mas na real não funciona bem assim. Talvez um dia... Eu gozei e o japonês também queria:

   -Onde quer que eu goze?

   -No meu peito.
   
   Lambi a porra amarga, como de fumante. Durante o banho, ele foi muito simpático e atencioso. E logo se mandou, alegando um compromisso.

   Já tinha visto ali um cara que eu conhecia de vista, da The Week, e principalmente da 269, onde ele me perseguia e, embora seja muito bonitão, nunca rolou nada. É um mulato claro, de cabeça raspada, físico muito bonito. É bastante raro eu me sentir atraído por alguém que não seja branco. Bem escroto esse racismo meu, mas a pelo clara e traços caucasianos parecem ser um dos meus muitos fetiches. E já tinha pego o japonês naquela tarde. Fazia muito tempo que eu não via esse cara, e ele me pareceu ainda mais gostoso do que eu me lembrava. Chegou junto, com desfaçatez:

    -E aí, bonitão?

   -Opa, tudo bem?

   -Certinho... Vamos pro meu quarto?

   Acabou que fui, né... A gente se beijou e deitei na cama. Ele se ajoelhou na minha frente e começou a vestir a camisinha. Fiquei atônito! Eu tinha acabado de dar, e nunca me passou pela cabeça dar mais de uma vez no mesmo dia, muito menos pra dois caras diferentes. Tocou o celular dele, que pediu desculpas mas atendeu. Ia vestindo a camisinha, se masturbando, olhando pra mim e conversando com um cliente. Eu passava meu pé direito pelo seu pau, pelas bolas, pelo períneo. Falava com uma voz bonita, sempre muito másculo e cara-de-pau. Às vezes dava a impressão de estar xavecando o cliente:

   -Sei que seus parceiros te pressionam e que desta vez não vou conseguir te atender a tempo. Mas, olha, estou com água na boca pra fechar um negócio com você.

   Quando desligou, esclareci:

   -Como é seu nome?

   -Patrick.

   -Patrick? Então, Patrick... eu não dou... só muito raramente. Acho que nem vai rolar, entendeu?

   -Sério, cara? Mas vamos tentar! Prometo que vai ser gostoso.

   -Ah... você não curte dar?

   -Tenho cara de quem dá?

   -Tem. Eu acho.

   Sempre achei que ele quisesse me dar. É um cara másculo, mas isso é tão difícil de se prever só pelas aparências... O cara ficou indignado com a minha resposta:

   -Tenho cara de passivo?! Porra!!

   -Ah, sei lá...

  -Deixa eu meter gostoso em você? Prometo fazer com muito cuidado, com carinho.

   Meteu. De frente, com minhas pernas pro alto. Doeu bem menos pra entrar que com o japa, mas continuou doendo bastante quando ia fundo. O cara queria bombar, mas não consegui. Pedi pra tirar e ele me queria ver de quatro. Eu não estava excitado, mas assenti. E ele meteu de novo. De quatro foi menos traumático, mas consegui deixar pouco tempo - eu queria sair dali. Disse ter 45 anos, o que me pareceu impressionante: aparenta 35, no máximo. O pau continuava rijo como rocha, o que ele atribuiu à excitação causada por mim.

   -Sei que, pra um ativo, é difícil dar, mas obrigado pela sua gentileza.

   Como é que é? gentileza?! Essa eu ainda não tinha ouvido... Depois me elogiou, disse que meus dentes são lindos e que comigo "teria até um caso". Era um homem educado, mas apesar de todas as "gentis" palavras, me pareceu frio e egoísta. Veio a última proposta:

   -Curte a três também?

   -Depende.

   -Estou com um amigo aí. Cara bonito. Só que o pau dele... é o dobro do meu!

   -Eu não vou dar mais por hoje. Ele dá pra a gente?

   -Dá. Depois a gente se fala.

   Tomei mais um banho. Me sentia nervoso e precisava comer alguém. Estava parado perto da sala de vídeo (que continua horrorosa), um lugar meio escuro, quando apareceu um sujeito alto, forte, bem na minha frente. Já chegou me alisando e beijando. Pensei que fosse um outro cara em quem eu já havia reparado, também alto e forte ("Some day he'll come along/The man I love/And he'll be big and strong/The man I love..." - George Gershwin), tatuado, super bonitão. Mas não era ele, e só descobri isso a caminho do seu quarto. Este parecia chinês, mas falava com carregado sotaque espanhol. Depois soube que é colombiano, Jorge, 28 anos, médico. Feio de rosto, desinteressante de corpo e chatonildo de conversar. Além de ter uns trejeitos de tia suburbana, revirando as mãos e soltando risinhos irritantes. Foi desolador entrar no quarto sabendo que teria de fingir simpatia por alguns minutos. Eu já não estava nos meus melhores dias, e o cara só puxava assuntos que me punham mais pra baixo. E me dava lição de moral! E falava como se entendesse da minha vida melhor que eu! E tentou traçar novas diretrizes para que eu as seguisse! Tudo isso em menos de vinte minutos. Uma pessoa bem sucedida que prega que para vencer, basta ser esforçado, honesto, paciente. E tudo se arranja. Um bosta. Um bosta completo.

   Quando finalmente consegui terminar a conversa (e extrair um diagnóstico de depressão de um dermatologista!), ele perguntou, com ares de namoradinha adolescente:

   -Afinal, você nunca me disse: do que você gosta na cama?

   -Sou ativo. Mas hoje já dei pra dois caras - respondi tão friamente como se dissesse que tomei dois copos de água mineral.

    -Credo!

   Claro que a titia ficou horrorizada, porque ainda pensava que ia dar pra mim. Tomei um banho quente e deitei na sauna seca. Fiquei um tempo ali, quietinho, me reorganizando e tentando decidir se ficava ou iria embora. Estava indo olhar as horas no meu celular quando trombei com o Cássio, que tinha conhecido na semana anterior:

   -Olha ele! - gritou.

   Me pareceu bem menos atraente do que eu me lembrava, mas ainda assim, um corpinho bem gostoso. Pelo jeito, ele tem ido quase diariamente à sauna depois de fechar sua loja. Tinha um cara grandão sentado no bar. Bonito até, apesar do excesso de músculos. Parecia um tanto anti-social e com uma perene inexpressividade cadavérica. Masturbava-se por baixo da toalha, sentado na poltrona e de olho no vídeo, com o rosto imóvel, imbecilizado. Levantou-se e cumprimentou o Cássio com a mínima animação a que se permitia. Também bateu no meu ombro amigavelmente e dirigiu-se ao primeiro andar. Cássio disse que o grandão o persegue na balada e que ele ainda não tinha tentado nada porque um amigo o alertou de que o cara tem pau pequeno.

   -Mas vai que seu amigo está enciumado, com ele ou com você, e inventou essa história? Tem que conferir - sugeri.

    -É, parece que é minha única opção hoje...

   Não era. Vi mais alguns caras interessantes aparecerem. E o funcionário da sauna que eu pegava na 269, me deu umas olhadas bastante curiosas. Percebi que ele se enfiava nuns becos desertos quando me via, imaginei que quisesse que eu me aproximasse. Ele subiu e eu fui atrás. Estava vistoriando a limpeza de um dos quartos e eu parei bem na porta. Claro que ele não pode fazer nada com um cliente ali (como também não podia na 269). Sorri e ele me media de alto a baixo. Saiu, quase me encochando, e prosseguiu a vistoria nos outros quartos recém desocupados. Permaneci ali, na frente daquele quarto, quando um cara que já tinha mexido comigo (mais especificamente com o meu mamilo), me abordou. Alto pra caralho! Tatuado pra caralho! Gostoso pra caralho! Chico, tem 29 anos e mora ali perto do Largo do Arouche. Me arrastou pro banheiro, o mesmo que todo mundo disputa no primeiro andar. Tem um rosto interessante, exótico, sem ser exatamente bonito. O corpo é maravilhoso, alto, atlético, ombros e costas largos, músculos na medida certa, definição invejável, tatuagens lindas pelo corpo todo. Pau delicioso também, graúdo, clarinho, macio, cheiroso. Enquanto o chupava, desci às bolas e ao períneo, quando percebi um certo frenesi. Girei seu corpo com a bunda pra mim e lambi. Ele delirava. Me puxou. Sentou no vaso sanitário e ergueu as pernas pro alto.

     -Vem me lamber assim, quero ver você.

   Era um cuzinho delicioso, que ele mantinha sempre tenso e apertado. Quando pedi que relaxasse, alargou-se um pouco, tornando a superfície mais acessível e formando um biquinho suculento.

    -Você gosta de dar? - perguntei.

   -Gosto, gosto de tudo. E você?

   -Geralmente prefiro comer. Quer dar pra mim?

   -Gosta de foder cara grande? Tem essa fantasia?

   -Gosto. Se for você, eu gosto.

   Coloquei-o sobre o vaso, com a bunda pra cima e meti. A altura dele me atrapalhava naquela posição (tenho 1,79m). Pedi que dobrasse as pernas um pouco e ele preferiu sentar no meu pau. Sentei no vaso e ele veio por cima, virado de frente pra mim.

   -Puta cuzinho gostoso!

  -Gostoso é você - disse me estapeando levemente o rosto - curte levar uns tapinhas?

   Eu estava chocado:

   -Essa realmente não é uma das minhas fantasias. Você gosta de bater, é?

   -Gosto, de leve. Mas só se você gostasse. Se não gosta, não tem graça.

   -E de levar uns tapas, você gosta?

   -Não!

   Eu detesto que me batam ou sejam muito dominadores comigo. Nelson Rodrigues diria que sou muito neurótico pra aceitar tal coisa. Agora, quando o cara pede, até pode ser divertido bater sem machucar, de brincadeira. Com esse papo todo, ele parou de se movimentar e meu pau amoleceu. Mas continuamos conversando naquela posição por longos minutos. Depois ainda meti outra vez na posição inicial.

   -Você veio aqui pra levar nessa bundinha gostosa, não foi?

   -Foi...

   Ele respondeu meio a contragosto, pelo que pude perceber. A animação do rapaz foi se esmorecendo, ele foi ficando esquisito. Ele também custa a gozar e eu pedi que gozasse na minha boca.

   -Quer leitinho na boca?

   Foi a minha vez de responder contrariado:

   -Quero...

   Acho tão vulgar essa história de leitinho... Gozou e eu cuspi, apesar de ter gosto agradável. Gozei me masturbando enquanto lambia seu pau que ia amolecendo. Tomamos banho e ele deitou na sauna seca, sozinho e um tanto macambúzio. Depois o vi indo embora com um cara bonitão, pareciam ter vindo juntos.

   Tinha mais dois caras bonitos na casa. Lindos na verdade. O primeiro que eu vi era gringo na certa. Altão, branquelo, pele lisa, físico bonito, rosto de cinema. Gostava de se exibir sem roupa na sauna, mas ninguém podia chegar perto. Parecia antipático e nem insisti. O outro era moleque, aparentava uns 22 anos. Clarinho, cabelo cacheado, castanho alourado, corpo bem definido e musculoso, bundinha redonda e arrebitada. É parecidíssimo com um garoto que eu conheço, por quem nutro uma paixonite platônica há alguns meses. O rosto delicado e marcante que parece desenhado a bico de pena, cada traço nanometricamente apurado. Um moço lindo da cabeça aos pés. Num dos ombros e bíceps trazia uma tatuagem bem fechada que lhe caia muito bem, contrastando com aquela perfeição de Semideus. Mantinha o olhar aberto a todos os presentes, mas não o vi se aproximar de ninguém. Por diversas vezes estivemos próximos e ele parecia indeciso. Numa dessas vezes, resolvi segui-lo. Fomos parar atrás do labirinto, na passagem para o cinema, onde ele parou e encostou na parede. Tocou meu peito desajeitadamente. Parecia tímido ou incerto do que fazia por ali. Eu o abracei, beijei a pele macia, segurei a bunda e ele se foi, com um sussurro:

   -Seu gostoso.

   Foi uma frustração incompatível com meu humor naquele dia. Tomei um suco no bar e fui me vestir. Esse último carinha estava no armário exatamente acima do meu. Vestia-se com uma roupa bonita, de fino acabamento. Pedi licença para pegar minhas coisas e ele afastou as suas da frente. Abaixou as calças, pra passar a camisa por dentro, e saltaram aos meus olhos a bundinha e a "mala", de perfil, discretamente cobertas pela cueca de brancura imaculada. As mãos de príncipe, másculas e elegantes, reabotoaram as calças lentamente e depois ajeitaram os cabelos cacheados diante do espelho. Foi-se antes de mim, em seu caminhar macio e firme, de quem sabe não pertencer àquele universo paralelo.

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