segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Língua no Cérebro


   Ele havia passado rumo ao lado escuro da casa (não tão escuro nesse horário). Subi as escadas e fui encontrá-lo numa das salas: cerca de oito homens em roda, uns sentados, outros deitados e alguns em pé, se masturbando e se olhando. Como só ele era bonitão, me senti meio constrangido e logo deixei a sala. Voltei em seguida e parei do lado de fora, de onde podia vê-lo facilmente e me sentir mais protegido dos outros olhares. Não demorou muito para vir até mim - passou perto e sorriu, desajeitado. Foi para a sala do fundo e o segui, lentamente. Com simplicidade me segurou e beijou meus lábios delicadamente. Fico apreensivo com esta velocidade, mas foi bom, estava limpo, cheiroso. Ficamos ali um tempinho, mas a claridade e os intrometidos que já nos rodeavam começaram a incomodar. Não lembro qual dos dois sugeriu pra irmos pro outro lado da casa, acho até que fui eu.

   Quando passamos para o claro, notei que seus pés eram meio esquisitos. Eu realmente tenho um problema com pés, mas não dava pra escolher muito àquela hora, preferi evitar olha-los diretamente. Aproximadamente 40 anos, em boa forma, estatura mediana, clarinho, poucos pelos bem distribuídos, traços elegantes, barba linda. Tinha algumas tatuagens que contrastavam desfavoravelmente com toda a sua aparência. A das costas (logo abaixo da nuca) era horrorosa, toda em azul, confusa. Tinha um leão, tenho quase certeza de que vi um pavão também. No peito tinha outra grande - tribal, tosca. Ele me guiou pra a cabine dum banheiro, ambiente mais iluminado e reservado. Havia água pelo chão. Penduramos nossas toalhas na porta e nos beijamos. Nos apresentamos mas esqueci completamente o nome dele. Era bonito nu. Gostosinho, macio. Lembro dos mamilos pequenos e claros, quase cor de salmão. Quando engoli seu sexo fiquei alarmado por sentir na língua algumas protuberâncias. Pensei que fosse alguma doença, verrugas, sei lá! Reparando melhor, vi que eram cicatrizes de uma circuncisão, talvez tardia. Ele me chupou também, e bem gostoso. Eu sou louco por barba e não posso resistir ao impulso de bater com meu pau na cara dum barbudo. No começo ele pareceu não entender, mas depois entrou na onda.

   Seu comportamento alternava-se entre doce e levemente grosso ou vulgar; vulgaridade e grossura que pareciam aprendidas, postiças. Enquanto me chupava, notei a aliança dourada na mão esquerda que acariciava meu peito - dourado, aliança, casamento: tudo tão cafona. Me perguntei se ele era casado realmente, se com uma mulher, e qual seria o significado disso tudo, pra ele, pra o/a cônjuge e até pra mim. Fiquei confuso. Um pouco de pena, outros tantos de culpa, raiva, tédio e, admito, até tesão. Não deu pra pensar muito porque ele me virou de costas e enfiou a cara na minha bunda. Geralmente eu gosto muito, claro: língua é bom em qualquer parte do corpo, deve ser bom até no cérebro. Mas ele era meio afoito, sem noção. Essa é a parte mais delicada pra mim, tem que saber fazer pra eu curtir. E não tava muito boa a sensação, só deixei continuar porque ele estava muito excitado. Se exagerava na força, eu oferecia o pau mas ele sempre me virava novamente, com certeza pensando que estava mandando bem. Até que, inevitavelmente, veio tentar me comer. Pôs a camisinha todo crente e se colocou na posição. Era um pau relativamente grande, e eu não estava com a mínima vontade. Acho que na vida toda só dei umas 10 vezes, é como um evento anual (sem trocadilho, por favor). A boca dele já tinha incomodado, o pau doeu e nem chegou a entrar nada, mas ele ficou insistindo. Eu parava, chupava ele, lambi a bundinha dele também, nos beijávamos... juro que me esforcei para distraí-lo, mas ele sempre voltava à fixação de meter. Cansei.

     -Cara, vou tomar um banho, beleza?

   Ele pareceu desapontado. Eu também estava e não tinha nem vontade de conversar.

   A essa altura já tinha mais gente na sauna. Sentei pra ver um vídeo pornô. Tinha um ator lindo, também de barba, mas um senhor veio sentar do meu lado e ficava se masturbando, olhando pra mim. Eu via com o canto do olho, tentando me concentrar no filme, mas ele insistia, queria chamar atenção e logo fugi.

   Depois das 18:30h que começou a ficar mais animado. Cheguei cedo, por volta das 15:00h e estava muito fraco. O barbudo supostamente casado ficou lá até tarde da noite também e sempre que nos cruzávamos, sorria pra mim, todo galanteador. Até pensei em tentar novamente, mas pra quê?

   Nesse dia, pelo que lembro agora, com todos os caras com quem fiquei, houve aproximação lá no escuro. O próximo foi um loiro. Não o tinha visto no claro, surgiu do nada e nos interessamos um pelo outro imediatamente. Com o horário de verão ainda havia claridade e dava pra ter uma boa noção da sua figura: pele muito clara, nariz comprido, expressivos pequenos olhos escuros, aproximadamente 1,80m, corpo definido, gostosinho, naturalmente sem pelos. Não era nenhuma beleza, mas me agradava. Parecia um rato branco (ah, tá...), mas me agradava! Pedro, o nome dele. Me levou para o pequeno banheiro ali no escuro mesmo. Ele estava molhado de um banho recente (imaginei que acabara de entrar na sauna).

   - Que boca boa, eu disse.

   Boa de beijar, ótima pra me chupar. Elogiou muito o meu pau e ficava chupando até suas pernas não resistirem à posição agachado. Então levantava e me beijava. Eu não estava com vontade de chupar, só queria que continuasse me chupando e beijando. Perguntou se eu queria buscar uma camisinha. Não respondi. Parecia adivinhar o que me daria mais prazer - lambia deliciosamente meus mamilos, minhas axilas, meu pescoço. Me chupou até me fazer gozar. Perguntei se ele queria gozar também: "-Lógico." Foi rápido que ele se masturbou e quase tombou quando atingiu o orgasmo. Nesse tempo eu fiquei me sentindo egoísta com o cara, eu quase não tinha feito nada, só o beijei e me deixei chupar. Pensando melhor, a gente não se conhecia, estávamos ali por algum prazer apenas: ele queria me chupar e chupou; eu não queria chupar e não chupei. Não queria ir pegar a camisinha para penetrar e não fui. Tava tudo certo. Excesso de autocobrança, ou simplesmente porque foi gostoso e ele parecia uma pessoa simples e afável, pelo jeito e as parcas palavras que trocamos ali. Ele próprio não parecia insatisfeito. Nos despedimos e fomos tomar banho separados. Ele entrou no banheiro de baixo e eu subi. Diante dos chuveiros tem uma vidraça que dá para o jardim maior da casa. Através do vidro embaçado pelo vapor, fiquei observando as árvores. A For Friends tem 35 anos, era o que informava um banner na escadaria, e imagino que as árvores tenham bem mais que isso, algumas são enormes, ultrapassam o telhado do antigo sobrado.

   Deitei na espreguiçadeira da piscina e fiquei observando o movimento. Às vezes dava uma volta, olhava quem chegava. O Pedro passava e acenava com a cabeça, com um meio-sorriso cúmplice. Eu desejei que ele viesse sentar do meu lado. Fui falar com ele no bar. Contou que era de São Paulo mas mora em Minas faz muitos anos. Tinha vindo fazer um curso patrocinado pela empresa em que trabalha. Tem 37 anos como eu e aparenta bem menos. Contou que a família mora aqui mas ele nem avisou que viria, pois era muito fora de mão de onde estava hospedado (perto do curso). Curiosamente ele comentou depois que um irmão dele mora na Vila Mariana, há poucas quadras da sauna. Perguntei se ele morava só e disse que sim. Eu ri pela forma vacilante como havia respondido e o deixei sem graça. Eu disse que de certa forma é positivo não saber mentir. Perguntei se era com um namorado que ele morava e ele confirmou, claro. Chamei pra sentar comigo numa salinha mais reservada que tem ao lado do bar. Nos beijamos e ficamos ali uns 20 minutos, batendo papo e trocando carinhos. A camisinha caiu da minha toalha, no sofá. Ele a recolheu e me chamou pra subir para um banheiro, numa ala que eu quase nunca uso, mais espaçoso e iluminado por uma luz bem azulada que ficava linda na sua pele muito branca e sardenta. Eu estava bem mais à vontade com ele e comecei a chupar, o pau era bonitinho, não muito grande, com bastante sobra de prepúcio na ponta. Consegui colocar toda a cabeça do meu pau dentro do prepúcio dele. Quando voltei a chupar pensei que ele tivesse gozado ou urinado, tinha muita secreção de sabor salgado, me assustei um pouco até entender.

   -Meu pau baba muito - balbuciou, meio envergonhado, meio contrariado.

   Ele me chupou mais e mais, sabia como fazer. Lambeu minhas bolas e foi descendo com a língua para a minha bunda. Me virou e lambeu gostoso, sem comparação com o modo grosseiro do outro cara. Eu o levantei, virei contra a parede e deslizei o pau por sua bunda enquanto beijava e mordia a nuca. Ele se arrepiava todo e virava a cabeça pra trás:

    -Roça a barba no meu pescoço!

   Pus a camisinha e continuamos. Quando começou a entrar, ele pôs a mão no meu quadril e pediu pra esperar:

   -Deixa eu me acostumar com ele.

   Eu fazia pequenos movimentos de retração e voltava a enfiar, cada vez uns milímetros a mais, até sentir que podia ir com tudo. Gosto de segurar firme na cintura com as duas mãos, me dá uma sensação de domínio. Fazia tempo que eu não fodia com muita força, não é todo mundo que gosta e geralmente prefiro mais suave. E foi ótimo! Não demorei muito a gozar e ele pediu pra eu ficar dentro até ele chegar lá também. No fim, estávamos zonzos, suados, os corações acelerados, respirações ofegantes. Encostei na parede e o puxei e abracei com força. Rimos de nada.

   Fui tomar banho lá em cima mesmo e ele veio junto. Só tinha uma ducha disponível e ele ficou de fora esperando. Desci e ele foi tomar seu banho. Ficou um clima meio esquisito, eu nunca sei se o cara com quem acabei de transar quer continuar do meu lado ou se quer procurar outro cara. Sentei numa poltrona lá embaixo, perto do jardim e poucos minutos depois ele veio sentar comigo, reclamando que eu havia sumido. Fala tão baixo quanto eu. Conversamos mais sobre a sua viagem, sobre o curso e tentei perguntar mais sobre o namorado, mas ele parecia reticente. Como reparou que eu estava olhando pra dois garotos que tinham acabado de entrar, sugeriu:

   - Se eu estiver atrapalhando alguma coisa, me avisa...

   Fiz média:

   -Não! Agora só preciso de um descanso!

   Rimos. A conversa ia morrendo e ele decidiu fazer uma sauna para relaxar.

   Eu já estava querendo ir embora mas sempre fica a vontade de encontrar mais alguém. Não sei exatamente o que é essa compulsão que me prende por tantas horas na sauna. Se é desejo, carência, vaidade, querer aproveitar por não ser todo dia que eu tomo a decisão de ir para a sauna ou simplesmente falta de opções mais excitantes. Um dos dois garotos que eu já tinha notado, despertou minha curiosidade: parecia muito jovem, castanho, perfil bonito, queixo forte, nariz reto, corpo muito interessante também, lembrava muito meu inquilino, numa versão melhorada. Reparei que eles falavam de mim. O outro era bem baixo e magro, clarinho, de bigode e cavanhaque, cabelo curto - nada atraente para mim. Cheguei a ir ao armário pra me vestir, mas resolvi subir e procurar o garoto. Ele tinha ido pro escuro. Estava sentado num sofá de frente para o vídeo, imóvel, pernas esculturais abertas. Alguns caras passavam e mexiam com ele, que continuava impassível. Aquele primeiro cara com quem fiquei, o de barba, passou por mim e falou alguma coisa que não entendi. Eu o puxei pelo braço e perguntei o que era:

   -Voce é o homem mais bonito da noite.

   Eu ri. Pelo gracejo e pela obviedade da cantada, tão desnecessária. Ele riu também e soltou mais uma:

   -Casa comigo?

   Talvez vício de homem que leva uma vida "hétero", acostumado a cantar pobres mulheres com clichês desse nível. A indignidade mundana. Meu riso virou careta malcriada. Passei perto do garoto que estava no sofá, ele acompanhou meus passos virando a cabeça. Me aproximei, quase encostado no seu braço que pendia do sofá. Tinha as pernas bem mais desenvolvidas que o tronco. Alisou minha coxa e me olhou nos olhos. Dei a volta e sentei junto. Conversamos um pouco. Coincidentemente também chamava Pedro, 26 anos, primeira vez na sauna. Tinha um sorriso lindíssimo, iluminado. Um longo beijo e ele me chupou, ali mesmo. Disse que o amigo estava na sala ao lado, acompanhado. A gente ficou se pegando no sofá e era muito gostoso - apesar dos curiosos que sempre tentam passar a mão ou ficam ali do lado, esmolando atenção. Fomos para uma sala mais escura que estava vazia, semiocultos por uma parede. Depois de algum tempo um carinha realmente lindo entrou, parou na nossa frente, encostou numa parede com pernas e braços cruzados. Parecia nervoso, agitado. Um pouco menos de 1,80 de altura, jovem, ombros largos. O corpo bem definido sobressaia por estar molhado e no contra-luz da TV. O rosto era muito bonito, fresco, olhos claros, nariz perfeito, feições de menino, em traços rápidos e certeiros. Veio até nós e disse alguma coisa nada a ver, como:

   -E ai, pessoal - e saiu rápido, antes que respondêssemos.

   Rimos e continuamos o beijo. Mais um tempinho e o garoto estava de volta. Eu o queria perto, mas queria ter certeza de que o Pedro aprovaria. Como ele também o olhava, eu acenei. E ele veio, agitado ainda, pulsante. De vez em quando um cara me arrebata em segundos, pela simples presença, ou por deixar escapar algo de imensamente humano e vivo. Cabelos pingando, corpo que desafiava minhas mãos. Pegava na gente também mas não se detinha muito. Parecia inexperiente. Molhado, e cheirando a sabonete. Toquei seu sexo, e ele segurou o meu e o do Pedro juntos, por alguns segundos. Sempre interrompia brevemente cada ação que iniciava. Os dois começaram a se beijar e eu fiquei atrás do garoto, abraçando os dois e bolinando a bundinha firme e tensa. Os infelizes de sempre chegaram para estragar tudo, e o moleque saiu correndo. Nós descemos também, empolgados. Vimos que tinha ido tomar banho de novo. O Pedro encontrou o amigo no meio do caminho e paramos para conversar. Era uma figura engraçada, muito simpática. Contou que tinha ficado com um cara que dizia ser espanhol mas falava como um português. O garoto voltou do banho, passou por nós, cumprimentando e falou qualquer coisa de ininteligível. Parecia fazer um esforço para se comunicar, passar a ideia de alguém descolado, porém faltava-lhe traquejo verbal. Pedro e eu nos entreolhamos, sorrindo. O amigo dele percebeu o clima e perguntou:

   -Voces três estavam juntos? Ué, a quatro: quem nunca?!

    Mais um penetra...

   O carinha passou por nós mais uma vez, fez o mesmo cumprimento gauche e entrou na sauna seca. Ao mesmo tempo em que era desajeitado, tinha muita altivez. Largamos o baixinho e fomos atrás dele. Logo que entrei, senti meus olhos arderem muito e começarem a lacrimejar. O nariz também ardia, acho que tinham derramado todo o pinho na sauna. Estava sentado, lindo, sozinho. Sorriu e falou mais alguma bobagem. Senti um pouco de pena dele, queria muito me aproximar, conversar, saber quem ele era e como tinha chegado ali. Reclamei daquela ardência e eles concordaram:

   -Tá estranho, né?

   Eu saí e o Pedro veio também, tínhamos certeza de que o garoto viria junto, mas não veio. Passei o resto da noite esperando que ele reaparecesse. Acho que por algum tempo, sempre que voltar lá, vou esperar por isso. Provavelmente vi a mim mesmo, alguns anos atrás, naquele menino. Não tão bonito, ainda mais inibido; mas provavelmente tão solitário e canhestro quanto ele. Essa segunda etapa com o Pedro foi gostosa. Deitei num sofá na sala de vídeo com ele por cima, estava tudo tranquilo, quase vazio, só no chamego. Eu fazia cafuné, ele pegava no meu pau, acariciava meu peito. Ficamos conversando. Me contou que vinha de outro estado, era bailarino, tinha estudado no Bolshoi e, apesar da pouca idade, dançado em grandes salas. Era um rapaz bem bonito e agradável. Fez algumas perguntas e atestou que eu não gosto muito de falar de mim. Conversamos um pouco sobre o outro garoto, que o tinha impressionado também. Ele o definiu como "arisco". Contou sobre sua roommate, sua trajetória até chegar a São Paulo, sua família. Seu amigo baixinho entrou quando ele segurava meu pau e fingiu um susto. Saiu da sala mas voltou em segundos, dizendo que se o Pedro fosse demorar, ele iria embora sozinho. Resolveram sair. Nos despedimos. Eu estava ansioso para procurar o outro carinha. Pensei em trocar telefone com o Pedro e achei que ele pensou a mesma coisa, mas foi uma despedida meio esquisita, acabou assim. Eles desceram pela escada que dá para o vestiário, e eu pela outra, que dá para a sala do jardim. Andei pela sauna toda e o carinha já tinha vazado. Ia embora mas fui encontrar o Pedro sentado ainda, esperando pelo amigo que estava no banho. Ficou um clima estranho, não sabíamos o que dizer. Ele me chamou a atenção para a TV, um ginasta nos Jogos Pan-Americanos, competindo numa prova de solo. Eu não conseguia prestar atenção, só pensava em ir embora. Levantou-se e se aproximou da TV. Seu amigo juntou-se a nós e ficamos assistindo. Aquilo foi me irritando, mas não sabia como sair, os dois de costas pra mim... Enfim me despedi friamente e fui me vestir. Vieram logo atrás. Me vesti rápido e ainda pisquei um olho para o Pedro na saída.

   Fiquei sete horas lá dentro. Saí cansado e um pouco triste.

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