sábado, 3 de dezembro de 2011

Panturrilhas Poderosas


   E eu estava realmente ansioso para voltar à sauna nos últimos dias e sem conseguir tempo para isso (saudade da 269, que funcionava 24h!). Depois duma noite mal dormida, sentia-me fisicamente cansado, um pouco tenso - não exatamente excitado. Parei no meio do caminho e me perguntei se era isso mesmo o que eu estava querendo: sexo anônimo? Não soube responder - que eu nunca sei. Mas fui. Tinha tempo e fui. Ia ver um show ali perto às 21 h, resolvi chegar cedo, por volta das 15h15min.

   Logo de cara reparei, feliz, num cara que eu já conhecia da 269, um comissário alemão. Tínhamos ficado e conversado rapidamente, lembrava que ele voava eventualmente para SP e passava 2 ou 3 noites por aqui.  Fazia tempo isso, alguns anos, e com certeza ele não lembraria de mim. Às vezes vejo perfis dele numa dessas redes sociais, porém nunca mais havíamos nos falado. Um pouco mais gordo agora do que eu me lembrava do nosso primeiro encontro, mas continuava uma gostosura: cabelos castanhos claros, muito lisos e finos, de comprimento médio; pele clara, olhos verdes escuros, lábios carnudos de um vermelho vivo; calculo que 1,70 m de altura; fortinho, bunda fan-tás-ti-ca. Desta vez ele estava com o peito e a barriga sem depilar. O rosto é suave e tem alguma coisa de infantil. Não sei dizer o quê, talvez a expressão incomumente franca. Eu lembrava da nossa transa, ter sido boa.  Reconheci logo que o vi passar, simpático - me abriu um largo sorriso e entrou na sauna úmida. Contive o impulso de correr atrás dele, provavelmente por insegurança.

   Tinha bastante gente na sauna para uma quarta-feira. Quase nada que me chamasse a atenção a essa hora. Dei uma rodada, vi alguns outros conhecidos. Dentre eles, lá em cima, perto da sala de vídeo, um cara de barba com quem já tinha ficado recentemente. Agora sei que ele chama Flávio. Estatura mediana, aparenta mais de 40 anos (soube depois que tem 37, a minha idade), algumas tatuagens mal calculadas, pés esquisitos, mas dá pra dizer que ele tem um rosto muito bonito. Desta vez o achei menos em forma. Reparei que ele tinha cortado os cabelos também. Nos cumprimentamos com breves acenos e semi-sorrisos. Desci e entrei na sauna em busca do alemão. Para mim, tínhamos alguma pendência a resolver. A sauna úmida do térreo é grande, tem duas salas. No meio da segunda sala, consegui reconhece-lo numa cena confusa. Sentados nas bancadas azulejadas que circundam o ambiente, quatro ou cinco homens assistiam, imersos na nuvem esbranquiçada e sufocante do vapor, ao encontro de três caras: também sentado numa das bancadas, o maior deles, já senhor, de aparência extremamente desagradável, com bochechas e olhos caídos, muito alto, gordo e peludo, com um corte nos cabelos grisalhos que fazia lembrar uma ovelha. Na outra ponta um moreno magrinho, feioso também, mas com corpo razoável e um pau enorme. Entre eles, o alemãozinho. Beijava a boca do moreno e oferecia a bunda ao velho, que a massageava com uma das mãos, e se masturbava com a outra. Eu passei por eles e sentei próximo. Apresar de tudo, meu pau ficou rijo. O velho me encarava, oferecendo seu pau cor de tijolo. Eu não queria olhar pra ele, mas a feiura, quando muito grande, atrai o olhar involuntariamente. O alemão deu um preservativo pro moreno, virou de costas pra ele e começou a engolir o pau do velho. Assombrado, tive de sair dali correndo. Fui tomar sol no jardinzinho que serve como área para fumantes. Uma meia hora depois, os três ainda estavam se pegando, no chuveiro e depois novamente na sauna. Sinto uma espécie de decepção quando vejo um cara que me atrai pegar gente feia.

   O cara de barba me seguia, com passos ou olhares. Fui pro escuro, sentei na sala de vídeo lá de baixo, no fundo, mais iluminada que as outras por conta da grande tela. Ele veio atrás, passou por mim e subiu ao andar superior. Voltou em minutos e sentou no mesmo sofá que eu, um pouco afastado. Nos olhávamos. Tirei o pau, já duro, por uma fresta da toalha e ele veio pro meu lado. Beijo gostoso, suave. Me chamou pra ir com ele. Nesse momento o alemão passa por nós e sobe para o escuro. Quase fui atrás dele, mas seria muito grosseiro. Ê, vida dura... O barbudo ia na frente, como se estivesse sozinho. Parece que essa é a regra na sauna: ou você anda na frente ou atrás do cara com quem você está, nunca do seu lado. Quando chegamos à nossa cabine do banheiro do primeiro andar, a mesma que usamos da outra vez, ele se mostrou mais delicado que no nosso primeiro encontro. Notei também que não usava mais a aliança dourada. Agachou pra chupar meu pau. Não o senti ansioso pra me comer como da outra vez. Ainda assim, virou meu corpo e lambeu minha bunda, desta vez com pressão agradável. Eu o levantei e virei de costas pra mim. Fiquei encochando o cara e percebi que ele estava à vontade. Pus meu pau ali e, como ele continuava tranquilo, forcei um pouco. Fui entrando, deslizando milímetros. Senti que estava decidido a dar pra mim, vesti a camisinha que havia posto sobre a mureta do banheiro, lubrifiquei com saliva e voltei a meter. Ele pediu pra parar um pouco, pra ir com calma, mas até que não foi difícil. E depois que se acostumou, fodi com força. Geralmente tenho dificuldade pra gozar na penetração, mas rolou até o fim.

   -Dois a dois. Da próxima vez eu desempato - disse, provavelmente se referindo aos nossos dois encontros. Mas não entendi a conta: da primeira vez ninguém comeu, ninguém deu. Dessa vez eu o comi. Não seria 1X0? Por que 2X2? Eu não entendi mesmo...

   Tirei a camisinha, joguei no lixo e ele se limpou.

   -Vamos tomar uma ducha, sugeri.

   -Com voce, eu namoraria - disse, meditativo.

   Esse cara tem essa mania de me lançar essas frases de efeito. Fiquei sem saber o que responder. Sorri simplesmente. Conversamos mais um pouco durante o banho. Parece ser um cara legal.

   Acabado o banho, me passou seu contato do MSN e nos separamos. Quando desci, tinha um ator famoso na sauna. Um  ator de alto nível, aliás. Nunca o achei atraente, mas também nunca suspeitei que ele tivesse um corpo tão gostoso. Não sou muito de ver TV e sempre o tive como um homem pequeno, magricelo. Já o tinha visto no teatro, muitos anos atrás, e realmente estes anos fizeram muito bem a ele. Parecia impaciente, andava pra lá e pra cá, medindo todo mundo de forma ostensiva.

    Fui atrás do alemão, que continuava dando sopa lá em cima, no escuro. A aproximação foi simples e rápida. Como sempre, em poucos minutos fomos juntos para o banheiro claro do andar superior lá da frente. Ele é todo gostosinho, supersimpático, olhar doce, sorriso adorável. A bunda parece um sonho, mas poucos minutos depois da penetração, eu falhei. Tinha gozado fazia pouco tempo e acho que estava um pouco tenso. Ficamos ainda um tempão ali, trocando carinhos. Ele foi muito fofo, nos beijamos muito e conversamos um pouco. Bem pouco, que ele não é de muito papo. Tentamos a penetração mais uma vez, mas não ia rolar, logo eu perdia a ereção. De qualquer forma foi agradável, ele tem uma das peles mais macias em que já toquei e disfarçava tão bem que não parecia estar decepcionado com a minha brochada. Tão bem que nem eu fiquei chateado. Não lembro direito, mas acho que o nome dele é Frederick.

   Ainda tive mais um encontro nessa noite. Lá pelas tantas apareceu um cara bem interessante, um tipo nada comum nesses lugares. Alto, corpo magro mas musculoso, moreno, com alguns pelos, barba curtinha bem escura, jeito de moleque, másculo. Me lembrou o gostosinho do Bento Ribeiro da MTV. Logo que vi, me interessei; ele também. Nos cruzamos algumas vezes até que eu recuperasse o fôlego. Ficamos sentados na mesma sala durante um tempo, a uma distância de uns 7 metros. Cumprimentou o ator e o Flávio, conversaram um pouco. Eu o observava, curioso. Mais tarde eu vinha saindo da parte escura, pela milésima vez, onde não encontrei nada que prestasse, e nos cruzamos, bem na saída; eu saindo, ele entrando. Passamos um pelo outro, nos olhando, viramos ambos para trás. Dei meia volta, fui atrás dele. Subimos pro andar superior, ele na frente, eu atrás. Entrou numa das salas e encostou na parede. Parei na sua frente e nos beijamos. Tentamos usar o banheiro daquela área mesmo, mas estava com um cheiro bem desagradável.

   Corta. Já estamos no banheiro iluminado, limpinho e espaçoso. Já estamos sem nossas toalhas e nos pegando furiosamente. Ele gostava de uma pegada mais pesada. Não parecia passivo, mas logo vi que ia rolar. O corpo dele era muito bonito, definido, pernas musculosas, panturrilhas poderosas, redondas. Um cara muito charmoso, desencanadão. E beijava bem. O pau não era grande, mas bonito, a cabecinha era uma perfeição, parecia até de plástico, de tão lisinha. A gente se chupou bastante e depois eu pus a camisinha e fodi gostoso. Delirava quando eu usava força, quando o mordia. E adorou quando segurei firme sua cintura. Agarrou minhas mãos e rebolava no meu pau. Dito assim, parece estranho - até pra mim que vi a cena: um cara bem machão, barbudo, forte, que rebola quando se aperta sua cintura. E conseguia o feito de continuar másculo nessa situação. Gozei de novo, dentro dele. Tomamos um banho e descemos para conversar perto do jardim. Chama Heitor, tem 40 anos e aparenta bem menos. O jeito desencanado escondia um rapaz bastante vaidoso, que adora falar de si. Ainda assim, simpático. Conversamos bastante, temos interesses em comum. É artista, professor na USP, empresário. Casado com um cara, moram numa chácara fora de São Paulo. De que ele é casado, eu apenas suspeitei pela conversa e o jeito como falou algumas coisas, e comprovei depois, pelo Facebook. Conversamos por mais de uma hora, e rimos bastante. Apareceu um cara muito bonitão, passava por nós, de olho em mim, sedutor. Eu já estava pensando em dispensar o Heitor, mas não tinha como. Fui ver as horas, eu tinha compromisso naquela noite ainda, e ele também.

   -Quase oito já! Daqui a pouco tenho de ir, vou ver um show aqui perto.

   -De quem?

   -Tânia Maria. Cantora e pianista brasileira que mora na França há muitos anos.

   -Sei, da turma do jazz... - disse com certa ironia.

   -É! Um grande talento...

   -Dá tempo de dar mais uma subidinha com voce, hein!?

   Eu não estava mais animado, talvez por já estar de olho no outro carinha que chegou, mas concordei. Fomos ao armário dele pegar outra camisinha e ali meu pau já estava durão, saltando da toalha e me deixando sem graça perante os funcionários da casa. Subimos e foi ótimo outra vez. Sem fazer nada, ele me excitava. Gozei com loucura. Estávamos nos recompondo quando encostei a perna na lixeira e senti umidade. Tinha uma camisinha pendurada na boca da lixeira, cheia de porra, e encostou em mim.

   -Puta, que nojo!

   Eu sou muito viado pra essas coisas. Não tinha certeza se era a camisinha que tínhamos acabado de usar e sentia aquela meleca na minha perna.

   -Preciso lavar isto rápido.

   Ele ria, sádico.

   Corri para a ducha, saía pouca água mas consegui me lavar. Quando ele chegou, já não saia mais água dos chuveiros. Havia gente reclamando com um funcionário que tentava explicar. Eu não entendo lhufas de hidráulica, portanto nem sei reproduzir suas desculpas.

   O Heitor ficou puto e foi tentar tomar banho lá embaixo - também em vão. Resolveu ir embora. Despediu-se friamente:

   -Foi um prazerzão.

   -Um prazer duplo (sinceramente nem eu sei o que eu quis dizer com isto).

   -Mútuo, tentei melhorar.

   Mesmo tendo acabado de gozar, fui correndo procurar o bonitão que tantas vezes havia passado olhando e sorrindo pra mim enquanto eu conversava com o Heitor. Eu ainda tinha uma meia hora disponível e dava pelo menos pra falar com ele, quiçá dar uns beijos.

   Mal comecei a andar, ouvi uma voz atrás de mim:

   -E aí rapaz.

   Ouvi baixinho, repetidas vezes, até me voltar. Era o próprio. Fui até ele e nos cumprimentamos. Era bonito realmente: alto, forte, pele branquinha e lisa, cabelos escuros, sorriso e nariz lindos. Marcelo. Ou melhor: Marrrcéaalu.

   -Carioca? - perguntei.

   -Tão rápido?!

   -Sou bom nisso.

   Disse estar na cidade apenas aquele dia, para uma conferência, se não me engano.

   Em poucos minutos se despediu.

   -Vou dar uma volta ae.

   Então tá, né... Não sei o que o decepcionou tanto. Dei mais um beijinho no comissário alemão, que ainda estava lá em cima, na batalha, e fui-me embora, que o show ia começar.

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